Jesualdo Ferreira

Quarta-feira, 01 de Outubro de 2008

Os «jogadores jovens» e a evidência da crise

Já toda a gente sabe que existe uma crise nos Estados Unidos, que ameaça o mundo com o espectro da recessão. Desmentir essa evidência é como justificar os maus resultados de uma equipa com a sua juventude, mesmo que se trabalhe no mesmo sítio há três anos e cometendo sempre os mesmos erros.

A comparação pode ser forçada, mas serve para analisar o comportamento de Jesualdo Ferreira como treinador do F.C. Porto, nomeadamente depois da goleada infligida pelo Arsenal. Mais do que a equipa, falhou o técnico, simplesmente porque entrou numa fase em que os resultados nacionais já não são suficientes.

Até quando irá usar o argumento de que os «jogadores são jovens» e é preciso dar-lhes tempo? E o treinador, será também ele inexperiente e novo nestas andanças? Em matéria de goleadas em terras inglesas podemos dizer que tem um certo histórico acumulado. Arsenal por duas vezes e Liverpool aproveitaram a visita dos portistas para fazerem a festa e darem um chuto na crise interna. Digamos que as equipas de Jesualdo são um bom vizinho sempre disposto a participar nas festas lá de casa.

A responsabilidade de construção do plantel não pode ser atribuída exclusivamente ao treinador (existem outras figuras, como o director-geral), mas convenhamos que o técnico português não está a saber fazer a transição para a maturidade, ainda que seja um senhor de idade respeitável. Na função, porém, continua a apresentar tiques de aprendiz, nomeadamente nos jogos grandes fora do Dragão, com equipas do mesmo nível ou superior. Sem arrojo, inventa (más) soluções nos momentos mais inoportunos, invariavelmente com maus resultados. Assim acontece desde 2006, tanto na Europa como a nível nacional, apresentando sinais preocupantes para o clássico de Alvalade

Aliás, nas duas épocas completas e um pouco desta, desde que está no Porto, o trasmontando só conseguiu impor-se verdadeiramente num terreno realmente complicado, ou seja, de nível máximo de dificuldade, quando venceu o Benfica no ano passado no Estádio da Luz, com aquele golo de trivela de Quaresma. Pelo meio, alguns triunfos mais ou menos relevantes, com equipas de média dificuldade em Portugal e de nível alto na Liga dos Campeões, mas nunca frente a adversários do primeiro pelotão europeu, como Arsenal, Liverpool, Chelsea ou (cá dentro) Sporting.

Como disse João Vieira Pinto, o F.C. Porto não conseguiu impor a sua grandeza. E será que alguém consegue explicar isso a um treinador que opta por ter em campo Benitez e Guarín ao mesmo tempo e que não consegue encontrar uma equipa após a saída de três jogadores importantes e um capital para investir como ninguém tem em Portugal? Na época em que tinha de se afirmar como treinador com calibre superior, Jesualdo falha, nem sequer consegue encontrar um modelo de jogo coerente e refugia-se em expectativas fugazes, que tornam o seu discurso insípido e o futuro incerto.

(by Filipe Caetano)

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Quarta-feira, 06 de Agosto de 2008

Um campeão que fale português

Advertência: o que é ser louco por futebol? Hoje em dia está na moda ter fobia desde desporto que torna as mentes irracionais, pelos escândalos que arrasta, pela lama em que se parece mover. Futebolfilo me confesso. O termo nem existe, mas seguindo a etimologia que me interessa (repescando o grego, que dá o significado de amor a filia), sou um amante desta onda que nos torna irracionais. Aliás, tenho a certeza que estou a escrever para alguém igualmente louco/apaixonado/irracional, que não consegue passar muito tempo sem ver a bola a rolar. Futebolfilia (o tal termo que não existe, mas que passará a denominar esta coluna) servirá, então, para explicar este estado de espírito.

Um campeão que fale português

O castelhano invadiu a nossa Liga. Ouço Quique gritar para dentro de campo: «Carlos, a jugar, cambia con Katso». Compreende-se, apesar do esforço para articular o discurso na conferência de imprensa num espanholês suave, o treinador Flores não perde a essência lá dentro, solta-se e expressa-se naquele sotaque muito característico, de quem não esconde as raízes.

Num plantel tão vasto, ficou claro que Zoro, Sepsi e Edcarlos não conseguiram entendê-lo. Nelson, Luisão, Luís Filipe, Nuno Assis e Makukula também estão com alguns problemas de expressão, mas Rui Costa tem sabido encobrir as falhas com reforços de qualidade e fluência na língua de Cervantes. Aimar ficou com a batuta e Reyes promete ser o solista de serviço, numa orquestra que ainda só dá sinais de banda filarmónica (onde vai parar Urreta, com um monstro à esquerda?).

Como tudo o que acontece neste país, as modas quando chegam colam-se como lapas na rocha Atlântica. Depois dos brasileiros, o paradigma altera-se. Para os dois inimigos de Norte e Sul não basta serem diferentes, têm sempre de se imitar para poderem mostrar que a sua escolha, embora sendo a mesma, foi a melhor.

Enquanto Quique desenvolve o espanholês para poder dar ordens aos lusitanos que restarem, Jesualdo apura o portunhol, numa equipa austral e sobretudo castelhana. Sem Paulo Assunção para suster o ritmo de samba, a parca herança recai em «Hulk», uma espécie de brasileiro 2.0, devidamente domesticado pela eficácia e rigor japoneses. Helton e Lino podem ter a certeza: terão um ano difícil, porque no Dragão grita-se fuego (na bancada diz-se fuago). Fuego nos pés de Lisandro, nas fintas de Rodriguez e na inteligência de Lucho. Neste novo paradigma latino ainda cabe o romeno Sapunaru e alguns nativos que vão subsistindo.

O futebol nacional tornou-se um muro de lamentações, onde os que perdem batem com a cabeça porque não sabem o significado de rezar. E são poucos os crentes. Dizem não ter dinheiro para suster os nossos craques e por isso vendem-nos. Até já vendem os que não são craques. Mas continuam a comprar desenfreadamente, todas as épocas, a meio da época, mal percam duas ou três vezes.

Para o caso, serve-me o processo que atravessa o Sporting. Por ser o único dos grandes sem dinheiro, deixou-se de vícios. Deixou de acreditar em banhas da cobra vendidas por directores-desportivos e cingiu-se ao essencial: construir uma equipa. Apostar numa espinha dorsal, em jogadores-chave, que sabem que chão pisam, e acreditando na qualidade do trabalho que tem sido feito na Academia. É claro que isto não garante comissões absurdas, mas palpita-me que poderá mesmo resultar em sucesso a muito curto prazo. O que poderá garantir à primeira Liga Sagres um campeão que fale português (com algum sotaque à mistura).

(by Filipe Caetano)

Escrito por Maisfutebol at 03:17 | Link permanente | Comentário (0) |

Sábado, 08 de Março de 2008

Por que é que nem vale a pena ouvir o que eles dizem...

... Jesualdo Ferreira, dia 26 de Fevereiro de 2008: «É mentira. Ainda não há nenhuma proposta para renovar contrato. Mas não vamos falar mais sobre isso. Não estamos aqui para falar da renovação»...

... e Jesualdo Ferreira, dia 8 de Março de 2008: «Há mais ou menos um mês, fui convidado pelo presidente a renovar e aceitei com prazer. As coisas foram feitas com tempo, como se costuma fazer neste clube».

(by O homem a quem lhe aconteceu não sei o quê)
Escrito por Maisfutebol at 21:27 | Link permanente | Comentário (15) |

Quarta-feira, 04 de Abril de 2007

A não rever...

No final do clássico da Luz, Jesualdo Ferreira dirigiu-se ao árbitro Pedro Proença e deu-lhe os parabéns. Três dias depois reviu o vídeo do mesmo jogo e chegou à conclusão de que o F.C. Porto foi prejudicado.

Parabéns Jesualdo. Ooops...

(by Regista)
Escrito por Maisfutebol at 12:35 | Link permanente | Comentário (3) |