Sábado, Setembro 29, 2007

Síndroma LFV

O presidente do E. Amadora, António Oliveira, muito revoltado com a arbitragem de Duarte Gomes no jogo da Taça da Liga com o Benfica, já veio anunciar que está a ponderar abandonar o futebol. Diz ele que se sente a mais no futebol. Só faltou dizer que este futebol não o merece.

É o que eu chamo Síndroma Luís Filipe Vieiria. O homem que já ameaçou deixar o futebol quando Fehér morreu, quando anunciou o objectivo de venda de 300 mil kits ou quando a Liga de Clubes mantinha a demora em pedir as certidões judiciais relativas ao Apito Dourado.

Hoje em dia, sempre que alguma coisa os aborrece, os presidentes de clubes ameaçam abandonar o futebol. Os árbitros enganam-se e apitam contra a equipa, eles ameaçam deixar o futebol. Os resultados não aparecem e os adeptos queixam-se, eles ameaçam deixar o futebol. Estavam a pensar ir à praia e começa a chover, eles ameaçam deixar o futebol.

No final, claro, nunca deixam mesmo o futebol. É pena.

Eu, pelo menos, se fosse por exemplo adepto do Benfica irritava-me que o meu presidente estivesse sempre a ameaçar ir-se embora, como se interrompesse a missão sebastianista. Um clube que já teve Eusébio, Torres, Bella Gutman, Humberto Coelho, Eriksson, António Simões e tantos outros não pode curvar-se perante ninguém. Nem sequer um antigo vendedor de pneus.

(by O homem a quem lhe aconteceu não sei o quê)

Publicado por Maisfutebol em 15:48:54 | Link | Comentários (7)

«Lá longe, lá no norte, em Guimarães, o Sporting» blá, blá, blá.

As palavras são de um jornalista de uma televisão nacional, em canal aberto, durante uma peça de resumo sobre a Taça da Liga.

Provavelmente a falar para os telespectadores de Lisboa. Para os de Guimarães não era de certeza, para os de Braga também não e para os do Porto tão pouco. Mesmo os de Coimbra ficaram com dúvidas que aquele «lá longe, lá no norte» se dirigisse a eles.

Eu sei que os jornalistas de Lisboa se irritam com as críticas de centralismo, a mim irrita-me que estejam sempre a oferecer razões para as críticas.

( by O homem a quem lhe aconteceu não sei o quê)

Publicado por Maisfutebol em 15:32:04 | Link | Comentários (2)

Segunda-feira, Setembro 24, 2007

Estará o futebol a perder a memória?

Ponto prévio: não tenho nada contra a fartura de jogos que se sucedem. Bem pelo contrário, gosto de futebol e gosto que haja futebol quase todos os dias. Mas lamento que a voracidade nos faça vivê-los de uma forma tão breve.

Lembro com saudade os golos que marcaram a minha descoberta do futebol e que duravam anos. O calcanhar de Madjer em Viena. O pontapé fulminante de Carlos Manuel em Estugarda. O segundo golo de Jordão em Marselha, no primeiro jogo que tenho realmente memória de ter visto.

Quando tento juntar as palavras infância e futebol, as imagens que me vêm à cabeça são do Domingo Desportivo a fechar com o calcanhar de Madjer em câmara lenta. Ou o genérico que antecedia os jogos da selecção a encerrar com o pontapé de Carlos Manuel, seguido da correria louca do médio que me acelerava o coração de cada vez que se repetia.

Hoje os grandes momentos já não duram anos, nem sequer duram meses. Duram dias. Só com dificuldade consigo reviver o golo de Derlei nos descontos de Sevilha, o pontapé de Nuno Gomes em Alvalade que resgatou a selecção das profundezas do Euro 2004 ou o cabeceamento milagroso de Miguel Garcia em Alkmaar.

Provavelmente é o sinal dos tempos, mas hoje vivemos o jogo com muita vontade e muito depressa. Por isso acho que sim, acho que o futebol está a perder a memória.

(by O homem a quem lhe aconteceu não sei o quê)

Publicado por Maisfutebol em 19:01:44 | Link | Comentários (1) »

A melhor crónica sobre o murro de Scolari…

… foi escrita por João Pereira Coutinho, na Folha de S. Paulo. Como o conteúdo é restrito a assinantes, fica aqui a transcição na íntegra. Com a devida vénia àquele que é provavelmente o melhor cronista português da actualidade:

« E Scolari ficou no meio da ponte

NÃO SOU herói. Não sou covarde. Sou um meio-termo. É a minha desgraça. Certo dia, tinha uns 14 ou 15 anos, envolvi-me em cena de pancadaria nas ruas. Para defender a honra de uma fêmea, levei de um macho. Barbaramente. Cheguei em casa e, com os olhos fora das órbitas, o meu pai, que Deus o tenha, deixou-me a lição de uma vida: quando bateres, bate para acertar. Caso contrário, o melhor é estares quieto. Quem fica no meio da ponte leva de todos os lados.
Foi impossível não lembrar estas sábias palavras quando Luiz Felipe Scolari partiu para um jogador sérvio com o propósito de lhe assentar os cinco mandamentos. Ponto prévio: sempre defendi Scolari. Quando o homem chegou a Portugal, o preconceito antibrasileiro, típico de selvagens com complexos de culpa colonial, crucificaram o homem nos jornais. Comigo não, violão. Comigo não, Felipão. Arregacei as mangas e lembrei uns fatos: o homem era campeão do mundo; o homem era bom; o homem, a prazo, conseguiria proezas que nenhum português conseguiu em cem anos de futebol.
Falei e disse. O homem não foi campeão do mundo, mas quase. Quarto lugar na última Copa do Mundo, um feito só igualado em 1966 (com o lendário Eusébio). E, quando Portugal organizou o torneio europeu em 2004, a equipe chegou à final, coisa nunca vista pelos patrícios. Perdeu para a Grécia, sim, mas perdeu bem. Felipão fizera o possível e o impossível para espremer leite de tetas secas.
O último jogo contra a Sérvia alterou tudo. Um empate nos últimos minutos, com gol miseravelmente ilegal. E, quando o sérvio -Dragutinovic, eis o nome- avançou sobre Scolari, as palavras do meu pai voltaram a ouvir-se do Além: quando bateres, bate para acertar. Caso contrário, o melhor é estares quieto.
Scolari não esteve quieto. Mas também não bateu para acertar. Ficou no meio da ponte e levou de todos os lados. Da Uefa, da torcida. Do presidente da República, do primeiro-ministro. Do açougueiro, do taxista. Só não levou do próprio sérvio, porque alguém o agarrou. Haverá perdão para tamanho fracasso?
Não creio. Fecho os olhos e a triste seqüência ainda hoje me assalta durante o sono. Scolari avança para o bicho. Avança trêmulo. Tenta um jab de esquerda, na melhor tradição do pugilismo clássico. Mas o movimento é tão denunciado, tão lento e tão fraco que o sérvio se esquiva com arrepiante facilidade. Pior: depois do falhanço, Scolari recua. Arrepende-se. Foge. O meu pesadelo termina com a bandeira de Portugal atirada para a lixeira. Às vezes, termina rasgada. Ou em chamas. Desperto da cama com um grito, ofegante e lavado em suor. E agora?
Agora, a Federação Portuguesa de Futebol já avisou que não tenciona demitir Scolari. Que pena. Que vergonha. Que miséria. Scolari desonrou Portugal. Não falo do empate. Não falo da agressão. Falo da ausência de agressão. Ou, se preferirem, de uma agressão iniciada e falhada. Ao não acertar no sérvio como ele merecia, Scolari mostrou uma falta de fibra que, mais cedo ou mais tarde, acabará por contaminar a equipe. Quem viver verá.»

(by O homem a quem lhe aconteceu não sei o quê)

Publicado por Maisfutebol em 03:16:22 | Link | Comentários (1) »

Quarta-feira, Setembro 12, 2007

Paulo Machado

Gosto tanto de ouvir Paulo Machado falar quanto gosto de o ver jogar. O que ele é em campo, é-o fora dele. Um gajo sincero. Corajoso. Sem medo. Por isso dá sempre bons títulos. Provavelmente fala assim porque não mede as palavras, talvez o faça porque lhe falta alguma maturidade. Mas, que raio!, é sempre uma pedrada no charco!

(by O homem a quem lhe aconteceu não sei o quê

Publicado por Maisfutebol em 18:46:10 | Link | Comentários (1) »

Segunda-feira, Setembro 10, 2007

O Hino e o hino

Um pequeno exercício. Uma simples comparação. O primeiro vídeo refere-se ao momento em que os jogadores da selecção nacional de rugby escutam o hino nacional. Instantes antes do pontapé de saída do jogo com a Escócia. O segundo mostra os atletas do senhor Scolari, perdão, da selecção nacional de futebol a escutar o mesmo hino. Antes do início de uma partida amigável com o Brasil. Agora, compare-os e tire as suas ilações.

Rugby:

http://www.youtube.com/watch?v=B1exk6jpal0

Futebol:

http://www.youtube.com/watch?v=yvnnpE_dVc8&NR=1

(By Mané Garrincha da Senhora da Hora)

Publicado por Maisfutebol em 21:39:31 | Link | Comentários (1) »